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Paul Landers na revista Valhalla

Revista: Valhalla Metal Magazine
Edição nº 38
Dezembro / 2005
www.valhalla.com.br

Du Hast!

Os caras do Rammstein não brincam em serviço. Apenas um ano depois do lançamento do aclamado Reise, Reise, eles já botam um novo álbum na praça. Rosenrot é a nova investida do sexteto alemão que como sempre traz letras polêmicas – dessa vez até discutem temas como o homossexualismo – e um som cada vez mais pesado. Conversamos com o guitarrista Paul Landers que nos conta os detalhes do novo CD e explica porque a banda cancelou os shows que fariam esse ano no Brasil.
Por Marcos Franke

Originalmente formado em 1994, o Rammstein só passou a ser conhecido aqui no Brasil a partir de 1999, quando o sexteto alemão acompanhou os mascarados do Kiss nos shows que fizeram em São Paulo e Porto Alegre. Aliás, naquela ocasião foram convidados pelo próprio linguarudo Gene Simmons, fã de carteirinha do grupo. Mais tarde, tiveram a música “Du Hast” incluída na trilha sonora do filme “Matrix”, o que lhes garantiu uma maior exposição. Mas foi com o lançamento do terceiro álbum, Mutter, em 2001, que a banda se consolidou mundialmente como um dos mais importantes nomes do segmento industrial da atualidade.
Sempre cantando em alemão, no ano passado eles lançaram Reise, Reise, um disco que foi caracterizado pelas duras críticas ao povo norte-americano, vide o single “Amerika”, que permaneceu por muitas semanas nas paradas de todo mundo. Com Reise, Reise o Rammstein ainda se tornou a banda mais famosa do mundo a cantar na língua alemã. Inspirados, em menos de um ano a banda já começou a trabalhar num novo álbum. Gravado na Espanha e Alemanha, Rosenrot foi lançado no mês passado e como de costume traz um conteúdo lírico bastante forte e polêmico. Dessa vez eles dissertam sobre temas delicados, como o homossexualismo e até trazem uma música em espanhol, intitulada “Te Quiero Puta”. Considerada uma banda de difícil acesso, a Valhalla teve o privilégio de ser escolhida pelos empresários do grupo como um dos poucos veículos sul americanos a ter oportunidade de entrevistá-los. Conversamos com o guitarrista Paul Landers que nos contou mais sobre o novo disco e sobre os motivos que ocasionaram o cancelamento da turnê que a banda faria esse ano no Brasil.

Valhalla – Por que vocês cancelaram a turnê que fariam esse ano no Brasil e em toda a América do Sul?
Paul Landers: A turnê foi cancelada porque o nosso tecladista, Flake, teve um problema sério de caxumba, uma doença infantil. Ficamos muito tristes, queríamos muito tocar aí. Foi realmente frustrante.

Aliás, como você avalia o resultado final da turnê do Reise, Reise?
Sair em turnê é sempre cair em água gelada. Nos surpreendemos quando ouvimos as músicas do Reise, Reise ao vivo. Elas soavam como no álbum, mas muito mais pesadas, talvez pelos fortes ritmos da bateria. Mas no geral a turnê foi ótima, os shows contaram com um público maior que a última turnê e esperamos que a próxima seja ainda melhor.

Passou apenas um ano desde o lançamento de Reise, Reise e vocês já estão lançando um novo disco. Nos fale mais sobre Rosenrot, o novo álbum.
Na verdade, o Rosenrot é um álbum como outro qualquer. Não tem nada de especial. A gravadora gosta de escrever muitas coisas sobre um disco, principalmente porque o intervalo foi curto em relação ao Reise, Reise, mas, pra ser sincero, é um álbum bem comum. Mas quem curtiu o Reise, Reise também vai curtir o Rosenrot. Assim como o disco anterior, o Rosenrot traz músicas mais diretas. Os textos estão mais leves, mas a música em si é mais agressiva e a partir disso criou-se um impacto entre músicas e letras. É interessante notar a harmonia entre essas duas coisas.

Pelo curto espaço de tempo, o Rosenrot pode ser considerado como uma seqüência do Reise, Reise?
Não, o Rosenrot é um álbum independente. As músicas são todas novas, só utilizamos algumas poucas idéias que sobraram do álbum anterior, mas no todo devem ser consideradas como músicas novas e não sobras de estúdio, já que essas idéias nunca chegaram a ser transformadas em músicas.

Falando nisso, como funciona o processo de composição do Rammstein?
Não há muito segredo. Todos da banda contribuem com novas idéias, trabalhos em grupo. Quando alguém surge com alguma idéia, nós sentamos, discutimos e depois botamos tudo na prática até que a música esteja pronta. Nossa música é bem complexa, mesmo soando simples. Na maioria das vezes elas são bem difíceis de serem compostas.

Reise, Reise foi praticamente gravado inteiro na Espanha. E em relação ao Rosenrot?
Também gravamos algumas partes do Rosenrot na Espanha, em outras em Berlin, na Alemanha. O Reise, Reise nos serviu como ponte para a gravação do Rosenrot. Muitas idéias que tivemos durante as gravações do Reise, Reise e que não pudemos aproveitar antes foram colocadas em prática agora nesse novo disco.

Em termos de letras, quais foram os principais assuntos explorados dessa vez? Me parece que a faixa “Mann Gegen Mann” disserta sobre a homossexualidade…
Somos uma banda democrática e todos podem contribuir com idéias para letras, mas quase sempre é o Till (Lindemann – vocal) quem escreve as letras e ele costuma escrever sobre coisas ruins da vida, como foi no caso do novo disco. Ele sempre explora temas negros e obscuros e isso já se tornou sua marca registrada. A “Mann Gegen Mann” fala sim sobre o homossexualismo. Acho que é um tema que ninguém procura explorar e isso nos faz querer escrever sobre esse tema no Rammstein. Além disso, a homossexualidade já é um assunto comum em nossa sociedade, mas muitas pessoas parecem querer ignorar a realidade.

Em relação ao disco anterior, Reise, Reise, vocês foram duros nas críticas contra os Estados Unidos, principalmente na música “Amerika”. A banda enfrentou algum problema com isso?
Não tivemos problema nenhum em relação a isso. Na realidade os americanos nem entenderam que aquilo se tratava de uma crítica. A nossa intenção foi realmente de criticá-los, mostrar o que eles são, mas eles nem se tocaram que o assunto era com eles.

A música “Moskau”, do mesmo álbum, também deve ser encarada como uma crítica a cidade russa?
Não, na verdade essa faixa se trata de uma ode a essa cidade. Nós adoramos Moscou. Muitos alemães sentem medo de Moscou, mas não é o nosso caso. Aprendemos russo no colégio e nos sentimos em casa quando tocamos em Moscou, ao contrário de quando tocamos no Japão, por exemplo, onde tudo que se vê são símbolos.

Mas voltando a falar sobre o novo disco, vocês convidaram o Apocalyptica e o Meshuggah para gravarem uma versão de “Benzin”, o primeiro single de Rosenrot. Por que essas duas bandas e qual o objetivo disso?
Essa é uma estratégia para enriquecer o single, já que lançamos muitos deles. Se não houver algo interessante, o fã nem se interessa por comprar um single. Acho que desta forma as pessoas conhecem o trabalho de outras bandas e ainda ouvem o som da banda que gostam. Quanto as bandas escolhidas, nós fizemos uma turnê com o Apocalyptica e é uma banda que gostamos muito. Então pedimos para que eles fizessem essa versão para a gente. Com o Meshuggah foi um pouco diferente. Gostamos sempre de escolher bandas inesperadas, que realmente possam agregar algo a nossa música. Por serem bandas muito boas, acho que eles fizeram versões bem diferentes daquilo que está no nosso álbum.

A vocalista da banda Texas, Sharleen Spiteri, faz uma participação na música “Stirb Nicht Vor Mir”. O que os levou a convidá-la para fazer essa participação?
Tínhamos várias garotas disponíveis para cantar nessa música, mas acabamos optando por ela, que tem mais afinidade com nosso som. No álbum anterior, na música “Moskau”, nós queríamos convidar as garotas do TATU, mas acabou não rolando. Sempre procuramos por participações de pessoas que se encaixem de alguma forma com nossa música, com nosso conceito.

Me parece que vocês farão uma versão em inglês para essa música, estou certo?
Acho que vai rolar sim. Estamos conversando sobre isso ainda. Já fizemos aquela versão para “Stripped” do Depeche Mode, então, não será a primeira vez que cantamos em outra língua. Estamos também começando a cantar em espanhol. De agora em diante deveremos fazer mais músicas em outras línguas, mas a principal sempre será a alemã, sem dúvida.

Vocês realmente gravaram uma música em espanhol no Rosenrot, a “Te quiero Puta”. Como rolou a idéia?
Bom, o Till passa muito tempo na Costa Rica, já que ele tem uma namorada por lá. Então ele começou a compor algumas músicas em espanhol. Esta música em especial ficou tão legal que decidimos colocá-la no álbum. Ela tem um impacto muito forte.

Em termos de capa, vocês demonstraram um cuidado todo especial com as artes dos álbuns. Entretanto, a capa do Rosenrot é a mesma da versão especial japonesa do Reise, Reise. Porque quê?
A gravadora lá no Japão sempre exige algo diferente, então lançamos o Reise, Reise com essa capa lá. Mas como gostamos muito dela e queremos que todos os fãs a tenham, decidimos usá-la no novo álbum. Acho que é uma capa muito bonita e muito bem feita. Aliás, apesar de parecer o contrário, o navio não traz nenhum significado especial, é apenas um navio.

Vocês lançarão em breve um DVD ao vivo, gravado em Nimes, França. O que você pode nos adiantar sobre esse lançamento?
Esse foi um dos shows mais marcantes que fizemos e o escolhemos pro DVD por causa dos fãs. Foi o show onde os fãs realmente mostraram do que são capazes. Essa também foi uma de nossas melhores apresentações e o áudio ficou muito bom. Além do show em Nimes, o DVD ainda trará todos os clipes do Reise, Reise e uma sessão de todos da última turnê. Não incluiremos nenhum clipe do álbum novo, esses ficarão para o próximo DVD.

Falando em vídeo-clipes, eles são muito importantes para a banda. O Rammstein inclusive já foi muito premiado com eles. Nos fale mais sobre os clipes da banda.
Sim, os clipes são muito importantes para o Rammstein. Tanto é que só para o novo disco teremos quatro. O vídeo de “Benzin” já está rolando; já filmamos também o de “Mann Gegen Mann”, que nos trará tocando pelados e o de “Rosenrot” também acabou de ser filmado. Haverá ainda mais um clipe para a música “Stirb Nicht Vor Mir”. As idéias dos vídeos às vezes são nossas e em outras são dos diretores. Mas na maioria das vezes nós participamos de todo o processo, pois nos preocupamos em transmitir as mensagens das músicas através das imagens do vídeo.

Mutter é um dos álbuns mais famosos do Rammstein aqui no Brasil. Inclusive ele é apontado como um dos melhores da banda. Você concorda?
Bom, eu gosto de toda nossa discografia. Não há um CD sequer que ache ruim. Mas eu tenho que dizer que o Rosenrot é o nosso melhor disco, mesmo que seja uma declaração clichê, já que todo artista tem a mania de achar que o novo álbum é o melhor. Mas também acho o Mutter um disco importante, assim como o Sehnsucht, já que depois dele é que o Rammstein realmente ganhou fama.

Vocês sabiam que aqui no Brasil o Rammstein é mais famoso entre o público gótico? Vocês têm alguma afinidade com esse segmento?
Para nós são fãs como outros. Independente do segmento ou do som que escutam, são pessoas que gostam da nossa música. Então se há fãs no segmento gótico que gostam que nos ouvir, então somos uma banda que tem sim afinidade com esse segmento. Na realidade, somos de tudo um pouco. Não gostamos de ser rotulados.

E quando esses e outros fãs brasileiros poderão finalmente ver o Rammstein tocando de novo no Brasil?
Infelizmente creio que uma turnê sul-americana role somente quando lançarmos um novo álbum, o que vai demorar um pouco. Acho que só em 2007 deveremos sentar e pensar num álbum novo. Infelizmente vai demorar. Aliás, eu gostaria de aproveitar e me desculpar com os fãs brasileiros por não termos ido ao Brasil esse ano. O Flake nem se curou direito ainda. Para mim a América do Sul tem um significado muito especial, então pode ter certeza que nos doeu muito não poder tocar aí esse ano. Nós não esqueceremos vocês, podem ficar tranqüilos.