Rammstein: Paris

Rammstein: Paris

“RAMMSTEIN: PARIS é a fusão perfeita entre o show extraordinário da banda com a arte de editar filmes. É um banquete visual, uma celebração de Rammstein ao vivo, que é diferente e, Mais »

Rammstein – O amor é para todos

Entrevista cedida à ReGen Magazine, publicada em 24 de dezembro de 2009.

Uma entrevista com Paul Landers do Rammstein

Por: Donnie Beach / Tradução: Lucas Fedele

O que ainda há para ser dito sobre Rammstein que não foi dito? O sexteto da Alemanha começou em 1994 em um outro estilo que estava sendo chamado de Neue Deutsche Härte (“Novo Peso Alemão”, em tradução livre) junto de artistas como Die Krupps, Joachim Witt e Megaherz, atraindo a atenção por todo o mundo com o lançamento de seu primeiro álbum, Herzeleid, em 1996 [sic]. Participar da trilha-sonora do suspense noir Estrada Perdida de David Lynch e realizar uma turnê com o KMFDM trouxeram reconhecimento a eles nos EUA, mas não seria até o lançamento de Sehnsucht em 1996 [sic] que o Rammstein conseguiria fama mundial; ainda hoje, muitos ainda se lembram da banda basicamente pelo hit “Du Hast” do Sehnsucht. Através da próxima década, o Rammstein ainda lançaria mais três álbuns, três vídeos ao vivo e inúmeros singles, sempre mantendo uma forte presença na comunidade de metal industrial e tocando em shows esgotados em todo o mundo. As apresentações ao vivo são lendárias pelo uso extensivo de pirotecnia, e seus clipes têm sido a causa de muita controvérsia em suas representações de temas algumas vezes violentos, mas predominantemente sexuais, muitas vezes com os membros da banda envolvendo-se em práticas sexuais extremas. É preciso apenas assistir ao vídeo do single atual, “Pussy”, para provar isso, ainda que este vídeo, assim como muitas outras criações, traga uma quantidade nada pequena de humor. Se não bastasse tanta controvérsia, o som teutônico da banda – comandado por ritmos militaristas, guitarras dominantes e o vocal alemão pesado de Till Lindemann – e o estilo visual fez deles muitas vezes um alvo para campanhas e grupos conservadores, todos ansiosos para classificar Rammstein como um grupo de nazistas, um rótulo que a banda é rápida em dispensar.

Com o lançamento recente de seu novo álbum, Liebe Ist Für Alle Da, o Rammstein, mais uma vez, caminha no limite das experiências com sua contínua perseguição por tópicos que são sexuais em sua natureza, mas apresentados no estilo próprio e inimitável da banda e retornando as estruturas mais industriais dos primeiros álbuns que os trouxeram para os holofotes. Antes da turnê atual da banda, o guitarrista Paul H. Landers disponibilizou algum tempo para falar com a Revista ReGen sobre o novo álbum, da gravação na Califórnia a sua escolha do equipamento, e até tocando na natureza da controvérsia da banda através dos anos.

Vamos começar com o óbvio: Liebe Ist Für Alle Da acabou de sair, e é aparentemente um monstro, até onde mostram as vendas. Vocês conseguiram o disco de platina em múltiplos países, disco de platina em pré-vendas na Finlândia, e o álbum até atingiu a 13ª posição em vendas nos EUA. Isso é um começo e tanto para este álbum. Isso é surpreendente para você, ou nesse ponto você já se acostumou a esperar um certo montante de vendas quando um novo álbum é lançado?

Landers: Não é diretamente surpreendente. Isso não é a primeira coisa que uma banda está esperando para ouvir, mas agora que surgiu, é uma coisa realmente prazerosa de se ter. Todos na banda acham que é bom que ele tenha sido recebido tão positivamente, pois é realmente um álbum que a banda se orgulha.

Até onde as estruturas e temas vão, parece que o álbum retornou um pouco aos sons do Herzeleid e Sehnsucht no sentido que os elementos orquestrais foram um pouco diminuídos em prol de sons sintetizados mais agressivos. Trazer esse som eletrônico de volta foi intencional, ou ele saiu naturalmente conforme as músicas eram escritas?

Landers: Havia definitvamente um consenso geral na banda para retornar a um som mais pesado, duro, sendo estas as raízes da banda, e nós estávamos pensando no que faz do Rammstein tão especial, quais são os pontos fortes, e são essas. A idéia dessa vez era de pegar estes aspectos e colocá-los em um pacote contemporâneo que soa como hoje em dia.

Este álbum foi gravado na Califórnia, o que é bastante surpreendente. O que inspirou essa decisão, e como foi gravar um álbum nos EUA?

Landers: O fato do Rammstein nunca ter realmente gravado nos States antes foi algo que tornou a gravação na Califórnia atraente para nós. Começando com a gravação da bateria, nós fomos aos Estúdios Henson, bastante conhecido por produzir The Muppet Show, e aquilo foi uma experiência excelente, um estúdio realmente profissional com grande tecnologia e que é bem mantido. A sala da bateria que eles têm soa muito bem, então nós conseguimos um excelente som de bateria lá, e ter um excelente som de bateria é meio caminho andado. Para a segunda parte, um certo estúdio estava planejado, mas os preparativos não deram certo, então nós tivemos que ir para outro estúdio no último minuto. O estúdio não era realmente uma ótima situação para o rammstein; não foi algo que nós realmente desfrutamos. Mas já que nós tínhamos as músicas mais ou menos finalizadas, era apenas uma questão de entrar no estúdio e gravá-las. Nós fizemos nosso trabalho o mais rápido possível e então voltamos para casa.

Você fez um vídeo recentemente promovendo o Guitar Rig, e você fez um comentário de que planejava utilizar o Guitar Rig para as seções limpas do novo álbum. Quanto da guitarra no álbum foi gravada através do programa, e quanto foi gravado através de métodos convencionais?

Landers: É interessante; através do trabalho com o Guitar Rig, eu fiquei ligado no hardware que estava programado no software, e eu voltei a usar o hardware. De certo modo, ficou mais tradicional como resultado, e eu tenho usado mais e mais hardware à moda antiga.

A edição especial de Liebe Ist Für Alle Da contém uma música ao fim chamada de “Liese” que é essencialmente “Roter Sand” com instrumentação diferente e letras totalmente diferentes. Qual é a conexão entre estas duas músicas?

Landers: A resposta simples é que “Roter Sand” é o resultado do desenvolvimento contínuo de “Liese”. “Liese” era a música original, e era algo que Olli, Till e Flake criaram após uma garrafa de vinho tinto. Eles levaram cerca de oito minutos para criá-la, e “Roter Sand” foi o resultado da banda trabalhá-la e desenvolvê-la. É como a música irmã de “Liese”. Alguns membros da banda disseram “Não, deixe ai. ‘Liese’ é a melhor versão”, e uma outra parte disse “Não, a nova versão é bem melhor”, então a única opção foi colocar ambas as versões lá.

A música e o clipe de “Pussy” parecem ter tido um efeito muito polarizador em muitos fãs. Algumas pessoas estão dizendo que é o grande retorno do Rammstein, que é uma grande música e muito atraente, e outros estão chamando-a de juvenil e aquém do que o Rammstein normalmente faz. Você tem algum comentário sobre isso?

Landers: Ambos os lados estão corretos em suas avaliações.

Existem planos futuros para fazer outros clipes do álbum, ou vocês estarão muito ocupados com a turnê nos próximos meses para trabalhar nisso?

Landers: Existem mais dois vídeos já em preparação. “Ich Tu Dir Weh” foi filmado semana passada pela banda, e foi uma performance que nós filmamos em nosso novo palco. O outro clipe será para “Haifisch”, e será um vídeo clássico do Rammstein com uma história por trás dele, mas eu prefiro não dar mais nenhum detalhe e deixar vocês se surpreenderem com ele. A banda também estará em turnê pela Europa em breve, e no outono de 2010 (primavera no hemisfério sul) esperamos estar na América do Norte.

A música “Wiener Blut” parece ser inspirada em um caso recente na Áustria de grande repercussão. Os fãs se lembrarão da controvérsia em torno de Armin Meiwes e “Mein Teil”. Houve alguma crítica ou opinião contrário em relação a essa música?

Landers: Nós sempre dissemos em entrevistas que quando estamos criando músicas, não é a percepção do público com o que nos estamos preocupados. As músicas que nós fazemos funcionam como deveriam, e quando histórias surgem como a que está por trás de “Wiener Blut”, é apenas algo que dizemos “isso é ótimo, isso é um assunto perfeito para nós”.

Após Rosenrot ter sido lançado, a banda ficou um bom tempo sem realizar turnês ou gravar antes de voltar ao estúdio. O que você fez durante a pausa do Rammstein?

Landers: Durante o ano em que tivemos férias, eu acabei viajando pelo mundo com minha esposa. Foi interessante, pois quando ela sugeriu a idéia para mim, eu disse “de jeito nenhum, de jeito nenhum, tudo que eu tenho feito é viajar pelo mundo com o Rammstein, eu quero ficar em Berlim”, mas ela me convenceu. Nós passamos um mês em Nova Iorque, um em Los Angeles, dois no Havaí, outro mês de volta a Los Angeles, e foi na realidade a melhor época da minha vida. Eu realmente aproveitei-a. Eu comecei a praticar windsurfing, e é algo em que eu sou “semi-bom” agora.