Rammstein vai terminar? (nota oficial)

Rammstein vai terminar? (nota oficial)

Foi publicada hoje uma nota no site oficial desmentindo boatos de que a banda estaria planejando se separar. “Rammstein não tem ‘planos secretos’ para um ‘álbum de despedida’ nem uma ‘última turnê’. Mais »

Richard Kruspe diz que próximo álbum do Rammstein pode ser o último

Richard Kruspe diz que próximo álbum do Rammstein pode ser o último

A banda alemã Rammstein está atualmente trabalhando em seu sétimo álbum de estúdio  — e numa entrevista para o Resurrection Fest em julho, Kruspe falou sobre como o novo trabalho está se desenvolvendo. “Eu estava muito cético Mais »

Planos para o futuro e novo álbum

Planos para o futuro e novo álbum

Em entrevistas recentes, os membros da banda (na maioria das vezes Paul ou Richard) falaram, entre outras coisas, sobre os planos para o novo álbum de estúdio. Veja algumas das informações que Mais »

Revista Hard n' Heavy (França) – Flake

Primeira entrevista: Flake em Anvers

A grande surpresa do último outono foi “Reise, Reise”, o mais novo álbum do Rammstein. Um sucesso imediato. Uma ascensão ao ponto do disco chegar aos topos de vendas em diversos países, incluindo a França. Aguardando a turnê, e sabendo que teremos que esperar até fevereiro de 2005 para ver o grupo tocando em nosso país (França), decidimos encontrar banda no segundo dia de show, em Anvers no dia 02 de novembro (2004) e em Praga, um mês depois. Tiramos vantagem disso para conversar com Flake (teclado) e Cristoph Schneider (bateria) na República Tcheca. Mais do que isso, perguntamos a eles sobre o homem nas sombras, praticamente o sétimo membro do Rammstein, o produtor Jacob Hellner, que acompanha o grupo desde sua estréia, como Michael O’Connor, o homem encarregado das luzes e dos efeitos pirotécnicos nas turnês.

Flake – em Anvers

H&H: Vocês deram várias entrevistas para promover o Reise, Reise. Há alguma coisa que você gostaria de dizer e ninguém perguntou até agora?
Flake:
Na verdade, não. Eu sinto muita dificuldade em me expressar nas entrevistas. Eu digo tudo que tenho a dizer através da música. Eu tomo parte igualmente nos textos, e os assunto que eu quero estão lá. Tudo pode ser encontrado na música, e eu acho estranho falar da minha vida de outra maneira. É quase impossível eu me expressar em relação às nossas canções. O pior, para mim, é explicar as mensagens que nós usamos nas nossas músicas. Eu acredito que elas falam por si mesmas, não há nada além disso. Toda vez que alguém pergunta por que escrevemos uma música como “Amerika”, eu me sinto como se voltasse à escola: eu não sei o que responder!

H&H: Há um trecho extraído de um acidente de avião, retirado da caixa preta, como uma “faixa oculta”, antes da primeira música de Reise, Reise (aos 38 segundos). É uma gravação real?
Flake:
Ah… Eu pensei que nós tivéssemos removido isso da versão final. É uma gravação real de uma caixa preta. Isso se relaciona ao universo visual do álbum e ao tema principal, viagem.

H&H: Foi fácil conseguir uma gravação como essa?
Flake:
Acho que sim… Nós não cuidamos disso pessoalmente. Nós tivemos a idéia, e alguém cuidou de completar esse objetivo. Não parece ser muito difícil de encontrar. No início, nós queríamos intercalar um extrato da banda entre cada música. Mas nós logo abandonamos a idéia, era muito fora do lugar.

H&H: Qual é a conexão entre o título “Dalai Lama” e a letra, que foi inspirada num poema de Goethe?
Flake:
O título da música foi encontrado antes que a letra fosse escrita. Ele se refere principalmente à música, com influências orientais. Quando terminamos de descrever a letra, queríamos mudar o nome da música. Tentamos “Flughast” (medo de voar) e “Air König” (um jogo de palavras com “Erl König”, poema de Goethe), mas não gostamos de nenhum deles, e decidimos ficar com o título original.

H&H: Vocês vão tocar “Moskau” em Moscou? O público pode achar que vocês estão comparando a cidade deles a uma prostituta.
Flake:
Comparar uma cidade a uma mulher é uma idéia antiga, não pertence a nós. Os russos gostam muito de nós, então não acho que essa música será um problema, pelo contrário. Se há uma leve crítica, é porque Moscou é uma cidade dura e agressiva. E também é realmente corrupta. Algumas pessoas não hesitariam em colocar luzes de polícia em seus carros só para evitar congestionamentos no trânsito, o que leva a ambulâncias esperando. É por isso que eu acho que só vamos tocar essa música em Moscou. Nós tocamos aqui, mas não ficamos satisfeitos.

H&H: “Ohne Dich” já é o terceiro single de “Reise, Reise”, apenas dois meses depois de seu lançamento. Não é um pouco rápido demais?
Flake:
Nós temos músicas boas no álbum suficientes para lançar um single a cada duas semanas! (risos) Não é como com outros grupos, que têm duas músicas boas em seus álbuns e o resto é porcaria. Em janeiro, o single será lançado. Certamente será “Los” (OBS.: o single na verdade será “Keine Lust”, em fevereiro). Estamos lançando os singles rapidamente porque esperamos lançar nosso novo álbum antes do final do ano.

H&H: Ontem (01 de novembro), vocês fizeram o primeiro concerto da nova turnê, em Mannheim, Alemanha. Como foi?
Flake:
Um monte de coisas foram ruins (risos). Felizmente, nós todos concordamos, antes de tocar, em não ficarmos preocupados depois do show. E nós mantivemos nossa promessa: tivemos uma grande noite, a despeito de todos os contratempos: partes das músicas esquecidas, o som não estava tão bom quanto planejamos, as luzes estavam apontadas para os lugares errados… Em mais do que poucos momentos, alguns de nós estavam no escuro, então nós tivemos que fazer uma perseguição (pela luz). Esse tipo de coisa. Mas isso é normal numa estréia.

H&H: Como você se sente sobre as novas músicas?
Flake:
É bom estar renovado! Nós não podíamos prever a reação do público diante dos novos elementos, foi preciso algo picante. Nós não podíamos sair da nossa rotina todos os dias. Em duas semanas, nós estávamos totalmente acostumados às novas músicas, e o efeito de novidade tinha passado. É como o nascimento de um bebê: você está muito feliz por ter um bebê, mas você logo não gosta de acordar no meio da noite para a mamadeira em poucos dias! (risos)

H&H: Há a impressão de que o teclado está menos presente em “Reise, Reise”. Isso te dá mais espaço em cena para fazer outras coisas?
Flake:
Na verdade, há mais (teclado) do que antes. Ele é mais discreto, mas onipresente. Eu gravei muito mais, mas durante a mixagem nós percebemos que algumas passagens não eram realmente necessárias. Eu prefiro ter menos teclado e melhor uso dele. Acho que é o caso desse álbum. Eu sou a favor de uma linha limpa e pura. Quanto menos, melhor.

H&H: Como as partes da orquestra são tocadas no palco?
Flake:
Sou eu que executo os samples. Mas de modo simplificado. Eu só tenho dez dedos!

H&H: Você acha que a lista de músicas para os shows vai evoluir com o tempo?
Flake:
Nós faremos várias tentativas durante os concertos. Para isso, vamos alterar a lista de músicas.
Perto do meio da turnê, a lista deve estar mais ou menos definida. Mas nada nos impede de mudar uma ou duas músicas por noite, dependendo de onde estivermos nos apresentando. Vamos tocar “Moskau” em Moscou, e há alguns países que preferem este ou aquele clássico.

H&H: Vocês tocaram todo o “Reise, Reise” ontem. Será como na turnê “Mutter”, quando vocês tocavam o álbum completo?
Flake:
Claro. Nós preferimos tocas nossas novas músicas em vez de tocar as que já sabemos de cor, o que acabaria nos cansando.

H&H: Além “Stripped”, do Depeche Mode, vocês incluirão outra regravação nos shows?
Flake:
Não, mas nós sonhamos em lançar um álbum apenas com regravações. Cada um deve propor duas músicas, e os outros têm que aceitá-las.

H&H: Houve uma certa tensão no grupo durante as gravações de “Mutter”. Vocês encontraram uma solução para “Reise, Reise”?
Flake:
Nós resolvemos o problema cancelando todas as nossas obrigações. Nós não temos que estar no estúdio desta até aquela hora. Desde que nós não éramos forçados a ir, nós estávamos todos presentes em todos os ensaios, e isso vem acontecendo por mais de um ano.

H&H: Rammstein é um grupo diferente. Vocês tentam intencionalmente serem diferentes dos outros?
Flake:
Sabe, meu sonho é subir no palco de jeans e camiseta. Mas não é isso que as pessoas esperam do Rammstein. Eu estou ficando cansado de toda aquela maquiagem, a técnica, as cenas complicadas, etc.

H&H: Vocês usam grande quantidade de efeitos pirotécnicos. Há países onde as leis impediram vocês de fazer o show completo?
Flake:
Na China e no Japão, eles têm uma mentalidade muito velha sobre esse assunto. Nós não podíamos nem introduzir nosso material naqueles países! Mas isso não é tão sério, Rammstein pode fazer bons shows sem fogos! Não é fácil por todo os EUA. Cada estado tem suas próprias leis. Desde que houve um terrível incêndio em Chicago, nos anos 20, os bombeiros te prendem se você jogar um fósforo na rua! (risos)

H&H: Há algum país em que vocês ainda não foram, ou que gostariam de ir?
Flake:
Eu adoraria ir à China central. Nós já tocamos em Hong-Kong, mas não é a verdadeira China.

Entrevista H&H parte 02 – Schneider